Diferença

A música negra, todos sabemos, faz parte de uma imensa diáspora pelo atlântico, grande parte impulsionada pela escravidão colonial. Negros (ou afro-descendentes, como for), foram espalhados pelas américas e ocuparam espaços de forma sinuosa, guerreira, afirmativa e estratégica. Um dos principais suportes para esse processo de adaptação e transformação da cultura negra no mundo foi a música. E a música negra teve a grande, talvez a principal virtude, de se expandir em direção ao novo de forma permanente. Quem diria que as brass bands do sul dos EUA seria o embrião para as insanidades maravilhosas de Coltrane, Miles, Monk, Hancock? Quem afirmaria que um país miserável como a Jamaica daria início a uma revolução musical que não para até hoje, aliando tambores e cantos tribais com técnicas alucinadas e canabbinadas de estúdios com graves, ecos, sons fanstamagóricos e batidas hipnóticas que ainda influenciam a música de vanguarda e popular no mundo? Como podemos esquecer que James Brown sampleado virou Afrika Bambatta assim como Curtis Mayfield Sly and Family Stone, Aron Neville, Stax, Montown, foram todos trepassados pelos djs do Rap de Dj Shadow a Grand Master Flash,  foram  remixados do Brooklyn até o Capão Redondo, de Londres até a Lapa? Como não lembrar que o drum and bass multiplica as batidas do funksoul, que o dub e o jazz estão por aí eletrônicos, digitais e readaptados desde os anos 60 e que o samba brasileiro foi torcido e suingado na mão guitarreira de Jorge Ben, que o maracatu virou rap no bit manguefônico da Nação Zumbi ou que Tim Maia é a base dos Racionais MCs?
Isso é a festa PHUNK! E nossa busca sonora : o passado sempre está dentro do futuro, o batidão sempre será parte do groove e o balanço clássico é a base do pancadão. A pista de dança como espaço de diversidade. E tolerância. Vamo que vamo que o som não pode parar. Seguindo a diáspora e de olho no futuro. Por mais cinco anos no mínimo! Rumo a uma nova visão.

 

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One Comment on “Diferença”

  1. paula Says:

    adorei.

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